Quem criou a IA e quando: a história de 1950 ao ChatGPT
Quem criou a IA? Ninguém sozinho: o nome nasceu em 1955, o campo em 1956 e a IA que você usa em 2017. Veja a história, dos pioneiros e invernos até o ChatGPT.
NinaKalkazu.org

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Narrado por Thalita
Para muita gente, a inteligência artificial apareceu em novembro de 2022, no dia em que o ChatGPT começou a responder perguntas na tela do celular. Mas, quando você pergunta quem criou a IA e quando, a resposta está mais de 70 anos atrás e não cabe num nome só.
Ela foi pensada, batizada e construída por pessoas diferentes, em épocas diferentes. Aqui você vai ver as três respostas para "quando a IA foi criada", quem estava por trás de cada uma e por que a história demorou tanto para chegar ao seu bolso.
Resumo rápido: a resposta em 30 segundos. A IA não tem um criador único. A ideia ganhou forma em 1950, com o matemático Alan Turing. O nome "inteligência artificial" apareceu em 1955, numa proposta assinada por John McCarthy e mais três cientistas, e o campo de pesquisa nasceu no verão de 1956, em Dartmouth, nos Estados Unidos. A IA que você usa hoje vem de 2017, e o ChatGPT chegou em 2022.
Índice
- Quem criou a IA: a resposta curta
- 1950: Turing pergunta se máquinas podem pensar
- 1955 e 1956: o nome e o verão de Dartmouth
- Por que a IA demorou tanto: as duas escolas e os invernos
- Quando nasceu a IA que você usa hoje
- Perguntas frequentes
Quem criou a IA: a resposta curta
Ninguém criou a IA sozinho. O nome mais citado é o de John McCarthy, que batizou a área em 1955 e organizou o encontro de 1956 que a transformou em ciência. Mas a pergunta "quando" tem três respostas certas, conforme o que você chama de IA: a ideia, o campo de pesquisa ou a tecnologia do ChatGPT.
Pense na aviação. Houve quem sonhasse com máquinas voadoras, quem desse nome à engenharia aeronáutica e quem fizesse o primeiro avião que levava passageiros. Com a IA foi igual, e cada etapa tem sua data.
| O que se entende por "criar a IA" | Quando | Quem |
|---|---|---|
| A ideia de uma máquina que pensa | 1950 | Alan Turing |
| O nome e o campo de pesquisa | 1955 e 1956 | McCarthy, Minsky, Rochester e Shannon |
| A tecnologia por trás do ChatGPT | 2017 | Pesquisadores do Google |
| A IA que chegou ao público | 2022 | OpenAI, com o ChatGPT |
1950: Turing pergunta se máquinas podem pensar
A ideia moderna de inteligência artificial começa em outubro de 1950, quando o matemático britânico Alan Turing publicou o artigo "Computing Machinery and Intelligence" na revista acadêmica Mind. A primeira frase já dizia a que vinha: "Proponho considerar a pergunta: as máquinas podem pensar?"
Turing sabia que "pensar" é difícil de definir. Então trocou a pergunta por um jogo, que ele chamou de jogo da imitação: uma pessoa conversa por escrito com uma máquina e com outro ser humano, sem ver nenhum dos dois. Se não conseguir dizer qual é qual, a máquina passou no teste.
Esse jogo ficou conhecido como teste de Turing. Ele mede a inteligência pelo comportamento, como um professor que avalia o aluno pela prova, sem ver o que se passa na cabeça dele. A ideia é discutida até hoje, como mostramos no artigo sobre se a inteligência artificial consegue pensar igual aos humanos.
O texto original de Turing ainda está disponível no site da editora da revista. Ele não construiu uma IA: deu à área a pergunta que ela ainda persegue.
1955 e 1956: o nome e o verão de Dartmouth
O nome "inteligência artificial" apareceu num documento de 31 de agosto de 1955: uma proposta de pesquisa assinada por John McCarthy, Marvin Minsky, Nathaniel Rochester e Claude Shannon. Eles pediam dinheiro para reunir dez cientistas por dois meses no Dartmouth College, nos Estados Unidos, no verão de 1956. Esse encontro é tido como o nascimento da IA como ciência.
Os quatro vinham de lugares diferentes. Segundo a proposta original, McCarthy dava aula em Dartmouth, Minsky estava em Harvard, Rochester trabalhava na IBM e Shannon, nos Laboratórios Bell.
A aposta deles era ousada. O texto dizia que todo aspecto do aprendizado e da inteligência poderia, em princípio, ser descrito com tanta precisão que uma máquina conseguiria imitá-lo. A própria Dartmouth ainda cita essa frase quando conta a história do encontro.
O nome quase foi outro. A MIT Technology Review lembra que Shannon preferia "estudos de autômatos" e que um colega reclamou que a palavra "artificial" soava como algo falso. McCarthy venceu, e o termo pegou.
Por que a IA demorou tanto: as duas escolas e os invernos
Porque os pioneiros prometeram demais com computadores fracos e poucos dados. A área se dividiu entre quem queria ensinar regras às máquinas e quem queria que elas aprendessem sozinhas. As duas apostas emperraram, o dinheiro sumiu duas vezes, e esses períodos de abandono ganharam um nome: invernos da IA.
A primeira escola, a das regras, tentava escrever à mão a lógica do raciocínio, como um manual de instruções gigante. A segunda imitava o cérebro, com redes de neurônios artificiais que aprendem com exemplos, como uma criança que vê mil gatos até reconhecer um.
A segunda escola teve seu grande momento em julho de 1958. O psicólogo Frank Rosenblatt apresentou o perceptron, uma máquina que aprendia sozinha. Rodando num computador IBM 704 de cerca de cinco toneladas, ela aprendeu a dizer se a marca impressa num cartão estava do lado esquerdo ou do direito depois de 50 tentativas, conta a Universidade Cornell.
O otimismo era enorme. Em 1967, Minsky escreveu que o problema de criar uma inteligência artificial estaria resolvido "dentro de uma geração", lembra a IEEE Spectrum. Não estava.
Os invernos da IA
Nos anos 1970, os resultados não acompanharam as promessas, e os governos cortaram verbas. Um relatório do governo britânico concluiu que o sonho da IA não tinha ido a lugar nenhum, e muitos cientistas passaram a evitar a expressão nos pedidos de financiamento, segundo a MIT Technology Review.
Nos anos 1980 veio um respiro com os sistemas especialistas, programas cheios de regras que imitavam um médico ou um advogado num assunto restrito. O mercado desabou no fim da década, no segundo inverno. Nos anos 1990, trabalhar com IA estava fora de moda.
Quando nasceu a IA que você usa hoje
A IA do ChatGPT, do Gemini e do Claude nasceu em 2017 e chegou ao público em 2022. Ela depende de três ingredientes que só se juntaram neste século: dados em quantidade, com a internet; chips rápidos, com as placas de vídeo; e um novo jeito de montar redes neurais. Foi a escola que imitava o cérebro, abandonada nos invernos, que venceu.
O primeiro sinal veio em 2012. Alex Krizhevsky, Ilya Sutskever e Geoffrey Hinton, da Universidade de Toronto, inscreveram uma rede neural chamada AlexNet numa competição que pedia para reconhecer objetos de mil categorias em fotos. Segundo a IEEE Spectrum, ela errou 15% das vezes, contra 26% do segundo colocado. A diferença acordou a indústria.
O segredo estava no chip. A rede foi treinada em GPUs, os processadores das placas de vídeo, que fazem milhares de contas pequenas ao mesmo tempo, como um mercado com centenas de caixas abertos. Em 2006, a Nvidia lançou a CUDA, o programa que liberou esses chips para outros cálculos além dos jogos.
O passo decisivo veio em junho de 2017. Oito pesquisadores, quase todos do Google, publicaram o artigo "Attention Is All You Need", que apresentou o transformer (transformador): um jeito de montar a rede que lê a frase inteira de uma vez, como quem olha a página toda, e não palavra por palavra. É o "T" de GPT, a sigla dos modelos do ChatGPT, e está na base de quase todos os assistentes de hoje.
Em 30 de novembro de 2022, a OpenAI lançou o ChatGPT como uma prévia de pesquisa gratuita, construída sobre o GPT-3.5, o "cérebro" que a OpenAI já tinha treinado. A empresa esperava pouco. "Não queríamos vender como um grande avanço", contou um dos responsáveis à MIT Technology Review. Em pouco tempo, milhões de pessoas estavam usando.
Linha do tempo da inteligência artificial
| Ano | Marco |
|---|---|
| 1950 | Turing publica "Computing Machinery and Intelligence" e propõe o jogo da imitação |
| 1955 | McCarthy, Minsky, Rochester e Shannon assinam a proposta que cria o nome |
| 1956 | Verão de pesquisa em Dartmouth: a IA vira campo científico |
| 1958 | Rosenblatt apresenta o perceptron |
| Anos 1970 | Primeiro inverno da IA |
| Fim dos anos 1980 | Segundo inverno, com a queda dos sistemas especialistas |
| 2006 | Nvidia lança a CUDA e abre as GPUs para a ciência |
| 2012 | AlexNet vence a competição de imagens com folga |
| 2017 | Google publica o transformer |
| 2022 | OpenAI lança o ChatGPT |
Perguntas frequentes
Quem é considerado o pai da inteligência artificial?
O título costuma ser dado a John McCarthy, que criou o nome e organizou o encontro de Dartmouth. Alan Turing também é chamado assim, por ter formulado a pergunta que deu origem à área. Os dois respondem a perguntas diferentes: Turing deu a ideia; McCarthy, o nome e o campo.
Qual foi a primeira inteligência artificial?
Não há consenso, porque depende do que se aceita como IA. O perceptron de 1958 é um dos primeiros exemplos de máquina que aprendia com a prática, e é o antepassado direto das redes neurais de hoje.
O ChatGPT foi a primeira IA?
Não. Ele chegou mais de 60 anos depois de Dartmouth. Antes dele, a IA já filtrava spam, recomendava filmes e reconhecia rostos em fotos. O ChatGPT foi a primeira IA de conversa a cair no gosto de milhões de pessoas ao mesmo tempo.
Por que se fala em "inverno da IA"?
É o nome dado aos períodos em que a área perdeu dinheiro e prestígio por não cumprir o que prometia: um nos anos 1970 e outro no fim dos anos 1980. Os dois terminaram quando surgiram computadores mais fortes e novas técnicas.
A IA levou 72 anos para ir da pergunta de Turing à tela do seu celular. Da próxima vez que alguém disser que ela "acabou de ser inventada", você já sabe a data certa para cada parte da história.






