Data centers de IA: a conta de energia que ninguém fecha
Data centers de IA esbarram na falta de energia: a Oracle acionou força maior no Stargate, a Crusoe largou as turbinas da Boom e os bots já passam os humanos.
NinaKalkazu.org

Você faz uma pergunta ao ChatGPT e a resposta chega em segundos. Parece que não custou nada. Só que, em algum lugar dos Estados Unidos, um galpão cheio de computadores gastou eletricidade para escrever aquela resposta. Esses galpões são os data centers de IA, e na última semana de setembro de 2026 três notícias mostraram que eles estão ficando sem tomada.
A Oracle mandou um aviso de "força maior", o papel que permite atrasar sem ser punida, sobre um dos maiores projetos do país. A Crusoe, que constrói esses galpões, abriu mão de um contrato de US$ 1,25 bilhão em turbinas, as máquinas que queimam gás para gerar eletricidade. E o chefe da Cloudflare disse que os robôs podem virar mil vezes mais numerosos que as pessoas na internet.
Os sites americanos contaram cada notícia em separado. Este artigo junta as três, explica os termos difíceis e mostra quem paga a conta.
Resumo rápido: a resposta em 30 segundos. A IA precisa de muita eletricidade, e a rede elétrica americana não entrega no prazo. Por isso as empresas passaram a gerar energia no próprio terreno, quase sempre com gás natural. Esse plano agora esbarra em licença ambiental, em falta de turbina e em moradores contrários. Enquanto isso, a procura só cresce: mais da metade das visitas a sites, o chamado tráfego, já vem de programas, e não de gente.
Índice
- O que aconteceu na última semana de setembro?
- Por que os data centers de IA consomem tanta energia?
- O que é o aviso de força maior da Oracle no Project Jupiter?
- Por que a Crusoe desistiu das turbinas da Boom Supersonic?
- Os bots vão mesmo ser mil vezes mais numerosos que os humanos?
- Quem paga a conta de energia da IA?
- O que isso muda para você?
- Perguntas frequentes
- O que observar nos próximos meses
O que aconteceu na última semana de setembro?
Em três dias, três empresas mostraram o mesmo problema por lados diferentes. No dia 24, saiu a notícia de que a Oracle acionou uma cláusula de proteção num data center gigante do Novo México. No dia 25, a Crusoe abriu mão das turbinas que tinha encomendado. No dia 26, a Cloudflare projetou uma internet tomada por robôs.
A ligação entre elas é uma corrente de três elos. Os robôs e os assistentes de IA fazem cada vez mais pedidos. Cada pedido é atendido por computadores, que ficam em data centers. E cada data center precisa de uma usina para funcionar. Quando o último elo trava, os outros dois sentem.
| Data | Empresa | O que aconteceu | Elo da corrente |
|---|---|---|---|
| 24/09 | Oracle | Aviso de força maior no Project Jupiter | A usina que não fica pronta |
| 25/09 | Crusoe | Fim do acordo de turbinas com a Boom | O equipamento que falta |
| 26/09 | Cloudflare | Previsão de mil vezes mais tráfego de robôs | A procura que não para |
Por que os data centers de IA consomem tanta energia?
Os data centers de IA consomem tanta energia porque reúnem milhares de computadores potentes ligados dia e noite, sem pausa. Um único conjunto desses prédios pode pedir tanta eletricidade quanto uma cidade grande. Nos Estados Unidos, a rede elétrica demora anos para atender um pedido desse tamanho, e as empresas não querem esperar.
Um data center (centro de dados) é um prédio que abriga computadores no lugar de pessoas. Pense num frigorífico: por fora é um galpão comum, mas tudo lá dentro depende de energia ligada o tempo todo. Quando você conversa com uma IA, é num lugar assim que a resposta é montada. Sem ele, o aplicativo no seu celular não faz nada.
A medida usada nessa conversa é o gigawatt, abreviado GW. Ele mede potência, ou seja, quanta energia algo consegue entregar ou gastar ao mesmo tempo. A usina de Itaipu inteira, com suas 20 turbinas, tem 14 GW de potência instalada. É a régua que vamos usar daqui para a frente.
O Stargate, programa de data centers da OpenAI com a Oracle e o SoftBank, foi anunciado como um compromisso de US$ 500 bilhões e 10 GW. São quase três quartos de uma Itaipu só para rodar inteligência artificial. Um dos locais escolhidos fica no condado de Doña Ana, no Novo México. É o Project Jupiter, que aparece na próxima seção.
Energia "atrás do medidor": gerar no próprio terreno
Gerar "atrás do medidor" é produzir a eletricidade dentro do próprio terreno, sem passar pela rede pública. É como um prédio que instala um gerador no subsolo porque a distribuidora não consegue ligar a luz a tempo. A diferença é a escala: aqui o gerador tem o tamanho de uma usina.
Essa saída virou regra. A revista Wired registrou que, em alguns lugares, a fila para ligar um data center à rede leva anos. Construir a fonte ao lado do prédio corta a fila. E a fonte mais rápida de erguer, hoje, queima gás natural.
Os números são do Global Energy Monitor, organização que acompanha obras de energia no mundo. Segundo o levantamento divulgado em janeiro de 2026, os projetos de usinas a gás nos Estados Unidos quase triplicaram em 2025 e chegaram a quase 252 GW, o equivalente a 18 Itaipus. Mais de um terço disso foi planejado para alimentar data centers no próprio local.
Em uma frase: a IA pede energia mais rápido do que a rede consegue entregar, e a solução encontrada foi levar a usina para dentro do data center.
É por isso que a energia, e não o chip, virou o gargalo. Chip se encomenda, sai da fábrica e chega de caminhão. Usina precisa de terreno, de combustível, de equipamento pesado e de autorização do governo, e cada item tem a sua própria fila.
O atalho do gás resolve a espera pela rede. Mas ele troca um problema por três: conseguir o gás, conseguir a máquina e conseguir a licença. A Oracle esbarrou na licença. A Crusoe, como veremos, na máquina.
O que é o aviso de força maior da Oracle no Project Jupiter?
É um documento em que a Oracle avisa que pode adiar pagamentos se o data center não ficar pronto em 2028, alegando motivos fora do seu controle. A empresa não está saindo do projeto. A informação veio da agência Bloomberg e foi repetida pelo TechCrunch. A Oracle diz que a obra segue no prazo.
Força maior é uma cláusula de contrato que livra uma das partes de cumprir o combinado quando acontece algo que ela não podia evitar. Imagine que você alugou um salão para uma festa e uma enchente fechou a rua. Você não desistiu da festa, mas também não faz sentido pagar multa. A cláusula existe para casos assim.
No Project Jupiter, a Oracle é a inquilina. Quem constrói o conjunto de prédios é uma empresa ligada à Blue Owl Capital, que administra dinheiro de investidores, e a Oracle vai ocupar o espaço para atender a OpenAI. Um aluguel desse porte começa a ser cobrado numa data marcada. O aviso serve para dizer: se o atraso não for culpa minha, o relógio não corre.
Onde o projeto travou: gás e licença
O Project Jupiter depende de gás natural, que chega por gasoduto, e de uma licença que ainda não saiu. O plano de energia mudou no meio do caminho. Em janeiro, a Oracle falava em turbinas a gás. Em abril, anunciou a troca por células a combustível da Bloom Energy, com até 2,45 GW instalados.
Uma célula a combustível é um aparelho que transforma gás em eletricidade por reação química, sem chama. Funciona como uma pilha que nunca acaba enquanto houver gás entrando. No Jupiter, milhares delas formariam uma usina de 2,45 GW, pouco mais de um sexto de Itaipu. Para os vizinhos, a vantagem é menos fumaça e quase nenhum uso de água.
A própria Oracle deu os números da troca em uma carta ao órgão ambiental do estado. A emissão de óxidos de nitrogênio, gases que pioram a qualidade do ar, cairia cerca de 92%. A de gás carbônico, o principal responsável pelo aquecimento do planeta, cairia 21%. O sistema continua usando gás natural, e a carta diz isso com todas as letras.
Falta a licença de qualidade do ar. A audiência pública foi marcada para 19 de outubro, e o departamento de meio ambiente do Novo México tem até 23 de novembro para decidir, segundo o site Source New Mexico. Sem ela, as células não podem ser ligadas.
O que Oracle e Blue Owl dizem
As duas empresas negam atraso. Em nota à rede de TV CNBC, a Oracle afirmou que o Project Jupiter "permanece no cronograma planejado" e que mantém o compromisso com o Novo México. A Blue Owl declarou que "este aviso não muda os compromissos financeiros" do projeto.
Repare nas duas primeiras palavras da Blue Owl: "este aviso". Elas confirmam que o documento existe. Nenhuma das duas publicou o documento, e o conteúdo conhecido vem de fontes anônimas da Bloomberg. O que está confirmado é que o aviso existe. O que ele permite na prática, só o contrato diz. No dia da notícia, as ações da Oracle caíram mais de 3%.
Por que a Crusoe desistiu das turbinas da Boom Supersonic?
Nenhuma das duas empresas explicou o motivo em detalhe. A Crusoe diz apenas que a parceria não é a mais adequada neste momento e que vai continuar usando turbinas, só que de outros fabricantes. O acordo previa 29 turbinas a gás da Boom Supersonic, por US$ 1,25 bilhão, e acabou antes da primeira entrega. O fim foi anunciado pelo presidente da Boom no dia 25 de setembro, como contou o TechCrunch.
Primeiro, quem é quem. A Crusoe é uma das maiores construtoras de data centers de IA dos Estados Unidos. Foi ela que ergueu o conjunto de Abilene, no Texas, usado pela OpenAI. Oito dias antes da notícia das turbinas, a empresa tinha anunciado um aporte de US$ 3,9 bilhões. Os investidores calcularam o valor da empresa em US$ 30,9 bilhões.
Parte desse dinheiro vai para os Crusoe Spark, data centers pequenos, fabricados em série e montados onde houver energia. É a lógica da casa pré-fabricada: em vez de erguer tudo no canteiro, as peças chegam prontas. A Crusoe afirma que isso encurta o prazo e reduz o custo em relação à obra comum.
O acordo que não saiu do papel
A Boom Supersonic é conhecida por outro projeto: um avião de passageiros mais rápido que o som. Em dezembro de 2025, ela anunciou um negócio paralelo. Adaptou o motor do avião para ficar parado no chão, queimando gás e gerando eletricidade. Batizou a máquina de Superpower e apresentou a Crusoe como primeira cliente.
Uma turbina a gás é, no fundo, um motor de avião preso ao chão: o gás queima, gira um eixo, e o eixo gira um gerador. Cada Superpower entrega 42 megawatts (um gigawatt tem mil megawatts). As 29 unidades somariam 1,21 GW. Com o lucro delas, a Boom pretendia financiar o avião.
No dia 25, o presidente da Boom, Blake Scholl, escreveu na rede X que as duas empresas não seguiriam juntas. Segundo o TechCrunch, a primeira versão do texto dizia que as turbinas tinham saído dos planos de curto prazo da Crusoe, e essa frase foi apagada depois. Scholl afirmou que a Boom vai entregar cerca de 250 megawatts a outros clientes em 2027. Isso dá seis turbinas, contra as 29 do pedido da Crusoe.
A Crusoe respondeu ao TechCrunch que seus planos de energia "não mudaram". Ela escolhe a fonte de cada local, entre turbinas, vento, sol, baterias e a rede. Segundo a empresa, o primeiro conjunto de Abilene, de 1,2 GW, usa a rede e guarda as turbinas para emergências. Um segundo, de 900 megawatts, vai rodar com turbinas no terreno.
A fila das turbinas a gás
O caso expõe um gargalo que pouca gente vê: não há turbina para todo mundo. O levantamento do Global Energy Monitor mostra que dois terços dos projetos de usinas a gás em desenvolvimento no mundo ainda não têm fabricante definido. Três empresas, GE Vernova, Siemens e Mitsubishi, concentram mais de 75% das encomendas que já têm fornecedor.
Foi essa fila que abriu espaço para uma fabricante de aviões vender geradores. E é por isso que a perda da primeira cliente pesa para a Boom, mesmo com outros compradores na lista. Para quem constrói data centers, a lição é que o dinheiro compra o terreno e os chips, mas não apressa a fábrica de turbinas.
Em uma frase: a Crusoe tem bilhões em caixa e continua querendo gás; o que mudou foi de quem ela compra a máquina.
Até aqui falamos da oferta de energia. Falta olhar o outro lado: por que a procura por computação não para de subir.
Os bots vão mesmo ser mil vezes mais numerosos que os humanos?
É uma projeção, e o próprio autor avisa que errou as anteriores. Matthew Prince, presidente da Cloudflare, disse em entrevista ao The Verge que, em cinco anos, o tráfego automático pode ser mil vezes maior que o humano. O dado confirmado é outro: mais da metade do tráfego da internet já vem de programas.
Um bot (robô) é um programa que visita sites sozinho. O mais antigo é o do Google, que lê as páginas para montar a busca. Os novos são os agentes de IA: programas que navegam em seu nome. Você pede "ache a melhor câmera até 3 mil reais", e o agente abre as lojas e compara os preços para você.
A Cloudflare tem como medir isso porque mais de 20% dos sites do mundo passam pela rede dela. A empresa funciona como uma portaria: fica na frente do site, deixa entrar quem deve e barra ataques. Da portaria, dá para contar quem é gente e quem é programa.
De 20% a mais da metade do tráfego
A virada foi rápida. Antes de assistentes de conversa como o ChatGPT, os robôs eram cerca de 20% do tráfego, segundo Prince. Em março de 2026, ele previu no festival SXSW que eles passariam os humanos em 2027. Dois meses depois, em maio, a equipe avisou que já tinha acontecido.
O motivo é a diferença de apetite. Prince dá um exemplo: uma pessoa que pesquisa uma câmera visita uns cinco sites. O agente dela visita mil vezes mais, algo como 5 mil. Em texto publicado em 30 de setembro, a Cloudflare informa que os pedidos diários de agentes de IA na sua rede cresceram mais de 1.700% em um ano, ou seja, ficaram 18 vezes maiores.
A previsão para a internet inteira é outra conta: ela sai de esticar essa curva de crescimento por cinco anos. Prince ressalva que as pessoas não vão sumir. O tráfego humano fica mais ou menos igual, e o dos robôs explode. Vale tratar o número como ordem de grandeza: ele mesmo admite ter errado todas as previsões que fez sobre o tema.
O anúncio não funciona com robô
Cada visita de robô custa dinheiro ao dono do site, que paga pelo computador que hospeda as páginas e pelo volume de dados enviado. Com gente, a conta fechava com propaganda. Com robô, não fecha, porque robô não clica em anúncio. Prince resume o problema assim: se o tráfego cresce mil vezes, alguém tem de pagar pela estrutura que atende esse tráfego.
A aposta da Cloudflare é cobrar na porta. Existe na internet, desde os anos 1990, um código de resposta chamado 402, que significa "pagamento exigido" e quase nunca foi usado. A empresa passou a devolver esse código a robôs: o programa paga uma fração de centavo e recebe a página. O sistema ainda está em fase de testes.
Para a nossa história, o ponto é outro. Cada uma dessas visitas, pagas ou não, é processada num data center. Se o tráfego dos agentes crescer perto do que Prince imagina, a fila por energia que travou a Oracle e a Crusoe só aumenta.
Quem paga a conta de energia da IA?
Por enquanto, quem paga são as empresas e seus investidores, com a promessa de que o vizinho não vai sentir na conta de luz. O custo ambiental, esse, fica para todos.
No Novo México, a Oracle promete arcar com toda a energia do Project Jupiter, com uma rede própria, separada da pública, para não mexer na tarifa dos moradores. Promete também US$ 360 milhões em pagamentos diretos ao condado e US$ 50 milhões para os sistemas de água. É o preço de ser aceita.
Mesmo assim há resistência. A CNBC cita a oposição local e a preocupação de grupos ambientais entre os obstáculos do projeto. O motivo é simples de entender: uma usina de 2,45 GW ao lado de casa, com chama ou sem chama, consome gás todos os dias por décadas.
No clima, a conta é coletiva. Se todos os projetos de gás em desenvolvimento nos Estados Unidos saírem do papel, o parque de usinas a gás do país cresce quase 50%, calcula o Global Energy Monitor. Trocar turbina por célula a combustível limpa o ar da vizinhança, mas, pelo número da própria Oracle, corta só 21% do gás carbônico.
O que isso muda para você?
No curto prazo, pouco: as IAs que você usa continuam no ar. O efeito aparece em três lugares, conforme o seu caso. Quem tem site vai receber mais robôs do que gente. Quem paga por IA depende de obras que podem atrasar. E quem se preocupa com o clima ganhou um número para acompanhar: quanto gás carbônico cada projeto corta de verdade.
| Se você… | O que muda | O que fazer |
|---|---|---|
| Usa IA no dia a dia | Nada de imediato; a capacidade nova é que pode demorar | Desconfie de promessas de IA "ilimitada" |
| Tem site ou blog | Mais da metade das visitas já pode ser de robôs | Veja, no seu serviço de hospedagem, quanto do tráfego é automático |
| Trabalha com tecnologia | Energia virou critério para escolher quem aluga computadores pela internet, a chamada nuvem | Pergunte de onde vem a energia e se o prazo depende de obra |
| Acompanha o clima | A IA puxa uma onda de usinas a gás | Olhe o gás carbônico, e não só a "energia limpa" do anúncio |
No Brasil, o assunto ainda parece distante, mas a lógica é a mesma em qualquer lugar: sem energia sobrando, não há data center. Para acompanhar os outros lados dessa corrida, a nossa página de inteligência artificial reúne os artigos do site. A briga pelos chips, por exemplo, está em Nvidia compra a Hugging Face.
Perguntas frequentes
O que é força maior em um contrato?
É a cláusula que suspende uma obrigação quando algo fora do controle da empresa impede o combinado, como um desastre natural ou uma licença negada. Ela não cancela o contrato. No caso da Oracle, segundo a Bloomberg, serve para adiar pagamentos se o data center não abrir em 2028.
O que é o Stargate da OpenAI?
É o programa de data centers de IA da OpenAI com a Oracle e o SoftBank. O compromisso anunciado é de US$ 500 bilhões e 10 GW de capacidade nos Estados Unidos. O Project Jupiter, no Novo México, é um dos locais.
Quanto é 2,45 GW?
É pouco mais de um sexto da potência instalada de Itaipu, que tem 14 GW. Esse é o tamanho máximo previsto para a usina de células a combustível do Project Jupiter, toda ela dedicada a um único conjunto de data centers.
A Crusoe desistiu de usar gás?
Não. A empresa diz que continua usando turbinas a gás, só não as da Boom Supersonic. Ela também usa vento, sol, baterias e a rede elétrica, conforme o local.
Os bots já são maioria na internet?
Sim, segundo a Cloudflare. A empresa afirma que, em 2026, pela primeira vez, mais da metade do tráfego da internet não foi humano. A medida vale para os sites que passam pela rede dela, que são mais de 20% do total.
O consumo de energia da IA vai encarecer a conta de luz?
Depende de como o data center é ligado. No Project Jupiter, a Oracle promete pagar toda a energia com uma rede própria, sem efeito na tarifa dos moradores. Quando o data center usa a rede pública, a discussão é outra, e ela não foi tratada pelas fontes deste artigo.
O que observar nos próximos meses
Três datas dizem se a conta fecha. Em 19 de outubro, o Novo México faz a audiência pública da licença do Project Jupiter. Até 23 de novembro, o estado decide. E 2027 é o ano em que a Boom promete entregar suas primeiras turbinas a outros clientes, a prova de que o produto existe fora do papel.
O prazo que mais importa é 2028, quando o Jupiter deveria ligar os computadores. Se ele atrasar, o aviso de força maior deixa de ser papel guardado na gaveta. Os data centers de IA nasceram de uma corrida por chips. A próxima fase se decide num lugar bem menos glamoroso: a usina.






