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Anthropic x Pentágono: por que o tribunal manteve o veto

Anthropic x Pentágono: entenda por que um tribunal manteve o veto ao Claude, por que outro o derrubou e o que a decisão muda para quem usa IA no dia a dia.

NinaKalkazu.org

Dario Amodei, CEO da Anthropic, aparece sentado diante do juiz em uma audiência, em um tribunal de estilo americano.

Imagine que a sua empresa vende um software ao governo e avisa, com todas as letras, que ele não faz duas coisas. O governo insiste. Você mantém o não. Semanas depois, a sua empresa recebe um rótulo de ameaça à segurança nacional, criado para espiões e sabotadores.

Foi mais ou menos isso que aconteceu no caso Anthropic x Pentágono. Em 25 de setembro de 2026, um tribunal federal de apelação dos Estados Unidos decidiu, por 2 votos a 1, que o Departamento de Defesa podia tratar a Anthropic, criadora do Claude (o assistente de IA concorrente do ChatGPT), como "risco à cadeia de suprimentos". É o rótulo que tira um fornecedor das compras do governo.

O detalhe que confunde todo mundo: um mês antes, outro tribunal federal tinha anulado uma punição gêmea, aplicada pelo mesmo motivo. Este artigo explica como as duas decisões convivem, o que segue proibido, o que não mudou e o que essa briga ensina a quem depende de uma IA no trabalho.

Resumo rápido: a resposta em 30 segundos. O tribunal de apelação de Washington manteve, por 2 a 1, a exclusão do Claude dos sistemas do Pentágono e do trabalho de fornecedores em contratos de defesa. A Anthropic recusou liberar o Claude para vigilância em massa de americanos e armas totalmente autônomas. Outro tribunal, na Califórnia, anulou uma punição parecida, aplicada com base em outra lei. Para o usuário comum, nada muda. A Anthropic ainda pode recorrer.

Índice

  • O que o tribunal decidiu, em poucas linhas
  • Anthropic x Pentágono: como a briga começou
  • O que é "risco à cadeia de suprimentos"?
  • Dois tribunais, duas respostas: como isso é possível?
  • O argumento que venceu: uma IA que pode dizer "não"
  • O voto vencido: "não foi isso que o Congresso imaginou"
  • O que muda agora para a Anthropic e para o Claude?
  • A Anthropic pode recorrer?
  • O que isso ensina a quem usa IA no Brasil
  • Perguntas frequentes

O que o tribunal decidiu, em poucas linhas

O Tribunal de Apelações do Circuito do Distrito de Colúmbia, em Washington, negou os pedidos da Anthropic e manteve a decisão do secretário Pete Hegseth de tirar o Claude da cadeia de fornecedores do Departamento de Defesa. O placar foi de 2 a 1, e a empresa perdeu nos três argumentos que levou.

O juiz Gregory Katsas escreveu o voto vencedor, acompanhado pela juíza Neomi Rao. A juíza Karen Henderson discordou. Está tudo na decisão de 25 de setembro de 2026, um documento de 51 páginas publicado pelo próprio tribunal.

A maioria rejeitou três teses. A primeira dizia que a medida era arbitrária. A segunda, que a lei não autorizava aquele uso. A terceira, que o governo violou a Constituição ao punir a empresa por suas opiniões e sem dar chance de defesa.

Um aviso sobre nomes: o governo Trump passou a chamar o Departamento de Defesa de Departamento de Guerra, e é assim que ele aparece no processo. Neste texto, "Pentágono", "Departamento de Defesa" e "Departamento de Guerra" são o mesmo órgão.

Em uma frase: o tribunal não disse que a Anthropic agiu de má-fé, e sim que a lei usada pelo Pentágono não exige má-fé para excluir um fornecedor.

Anthropic x Pentágono: como a briga começou

A briga começou numa negociação de contrato. O Pentágono queria usar o Claude para "todos os usos legais", sem exceção. A Anthropic topou ampliar quase tudo, mas manteve duas proibições: vigilância em massa de americanos e armas totalmente autônomas. Nenhum dos lados cedeu, e o impasse virou punição em fevereiro de 2026.

A relação vinha de antes. Segundo a decisão, o Pentágono e os serviços de inteligência usam o Claude em sistemas sigilosos desde 2024, por meio de empresas contratadas. Em julho de 2025, a Anthropic entrou num contrato de IA com teto de US$ 200 milhões. É o valor máximo previsto, não o que foi pago, e a própria empresa anunciou como um acordo de dois anos.

As duas linhas vermelhas da Anthropic

A empresa nunca aceitou dois usos, e explicou por quê num comunicado de Dario Amodei, seu presidente, publicado em 26 de fevereiro.

O primeiro é a vigilância doméstica em massa. Hoje, o governo americano pode comprar dados de localização e navegação de cidadãos sem ordem judicial. Sozinhos, esses dados dizem pouco. Com uma IA potente, viram um retrato completo da vida de qualquer pessoa, montado de forma automática. Para a Anthropic, isso é incompatível com valores democráticos.

O segundo são as armas totalmente autônomas: sistemas que escolhem o alvo e disparam sem nenhuma pessoa no processo. A empresa não diz que isso é errado para sempre. Diz que a tecnologia atual não é confiável o bastante, e que não vai entregar um produto que ponha militares e civis em risco.

A Anthropic apoia armas parcialmente autônomas, em que uma pessoa ainda decide, e afirma ter oferecido ao Pentágono pesquisa conjunta para tornar os sistemas mais confiáveis. Segundo o comunicado, a oferta não foi aceita.

O que o Pentágono queria

O Pentágono queria uma regra simples: quem decide como usar uma ferramenta militar é o governo, não o fabricante. Em 9 de janeiro de 2026, Hegseth publicou uma estratégia de IA que manda incluir a cláusula "qualquer uso legal" em todos os contratos e usar modelos livres de políticas de uso, as regras do fabricante sobre o que o produto pode ou não fazer, quando elas limitam aplicações militares.

O prazo final foi curto. Hegseth se reuniu com Amodei em 24 de fevereiro e deu até o dia 27 para a empresa aceitar. No dia 26, a Anthropic recusou em público. No dia 27, Trump e Hegseth atacaram a empresa nas redes sociais, como registrou a Ars Technica, e o processo de exclusão começou.

Data (2026)O que aconteceu
9 de janeiroHegseth publica a estratégia de IA com a cláusula "qualquer uso legal"
24 de fevereiroReunião entre Hegseth e Amodei; prazo até o dia 27
26 de fevereiroA Anthropic recusa em público
3 de marçoHegseth assina a determinação formal contra a empresa
6 de marçoOrdem interna: tirar o Claude dos sistemas em até 180 dias
9 de marçoA Anthropic vai à Justiça
8 de abrilO tribunal de Washington nega o pedido para suspender a punição até o julgamento
27 de agostoTribunal da Califórnia anula o rótulo baseado na outra lei
25 de setembroTribunal de Washington mantém a exclusão, por 2 a 1

Falta explicar o que é, afinal, o rótulo que causou tudo isso.

O que é "risco à cadeia de suprimentos"?

"Risco à cadeia de suprimentos" (em inglês, supply chain risk) é um rótulo legal que permite ao governo americano excluir um fornecedor de tecnologia por motivo de segurança nacional. Quem recebe o rótulo sai dos sistemas do órgão, e as empresas contratadas ficam proibidas de usar o produto no serviço que prestam a ele.

Cadeia de suprimentos é o conjunto de empresas por trás de um produto. Pense num restaurante: o prato depende do açougue, do hortifrúti, da distribuidora de gás. Se um deles falha, ou age de má-fé, o problema chega à mesa. O governo se preocupa com a mesma coisa nos computadores que usa.

O exemplo clássico é o de um equipamento de rede fabricado por empresa ligada a um governo rival, que pode esconder uma porta de entrada para espiões. Foi para casos assim que a regra nasceu. Segundo a Anthropic, o rótulo era reservado a adversários dos Estados Unidos e nunca tinha sido aplicado em público a uma empresa americana.

Por que isso importa para você? Porque o rótulo acaba de ganhar um uso novo. Ele deixou de servir só contra sabotagem escondida e passou a valer contra um fornecedor que avisa, de forma aberta, o que o seu produto não faz.

Dois tribunais, duas respostas: como isso é possível?

É possível porque o governo usou duas leis diferentes para punir a Anthropic, e cada lei é julgada num tribunal diferente. As duas usam a mesma expressão, "risco à cadeia de suprimentos", mas com definições distintas. Uma exige um adversário agindo de má-fé. A outra fala em "qualquer pessoa". A empresa ganhou na primeira e perdeu na segunda.

Esse é o ponto que as manchetes deixaram de lado. Não houve um tribunal desautorizando o outro. Houve dois tribunais lendo dois textos.

A lei da Califórnia: só vale contra "adversário"

A primeira lei é a seção 3252 do Título 10 do código americano, que trata das Forças Armadas. Ela define o risco como a possibilidade de um adversário sabotar, introduzir função indesejada de forma maliciosa ou subverter um sistema.

Em 27 de agosto de 2026, o tribunal federal do Norte da Califórnia anulou o rótulo baseado nessa lei. O raciocínio: a palavra "adversário", somada a verbos como "sabotar" e "subverter", exige má intenção. E a Anthropic não agiu com má intenção ao negociar com o Pentágono.

Segundo a cobertura da Ars Technica, a decisão da Califórnia foi além e considerou a medida uma retaliação contra a empresa por ter defendido suas posições em público.

A lei de Washington: vale contra "qualquer pessoa"

A segunda lei é a seção 4713 do Título 41, criada em 2018. É a Lei de Segurança da Cadeia de Suprimentos nas Compras Federais, conhecida pela sigla em inglês FASCSA. Ela define o risco como a possibilidade de qualquer pessoa sabotar, introduzir função maliciosa, extrair dados "ou de outra forma manipular" um produto, de modo a vigiar, negar, interromper ou manipular o seu funcionamento.

Duas palavras decidiram o caso. "Qualquer pessoa" não se limita a inimigos estrangeiros. E "negar" o uso de um produto, para a maioria, não pressupõe maldade. Uma IA que se recusa a executar uma tarefa pedida pelo governo está negando uma função, com ou sem boa intenção.

O Congresso também determinou que só o tribunal de Washington pode revisar medidas tomadas com base na seção 4713. Por isso a Anthropic precisou abrir dois processos, um em cada lugar.

As duas decisões lado a lado

CalifórniaWashington
TribunalFederal de primeira instância, Norte da CalifórniaApelações do Circuito do Distrito de Colúmbia
Data27 de agosto de 202625 de setembro de 2026
Lei analisadaSeção 3252 do Título 10Seção 4713 do Título 41 (FASCSA)
Quem pode ser o "risco"Um adversárioQualquer pessoa
Exige má-fé?SimNão
ResultadoRótulo anuladoExclusão mantida, por 2 a 1

O mais curioso: o tribunal de Washington concordou com o da Califórnia. A maioria aceitou as duas conclusões da Califórnia: aquela lei exige má-fé, e a Anthropic não teve má-fé. Só que, na lei mais ampla, isso não é necessário.

Em uma frase: a Anthropic foi considerada inocente de sabotagem nos dois tribunais, e mesmo assim continua fora do Pentágono, porque uma das leis não pede sabotagem.

O argumento que venceu: uma IA que pode dizer "não"

O argumento vencedor é que a Anthropic controla o comportamento do Claude por meio do treinamento, e usa esse controle para impedir tarefas que desaprova. Para o Pentágono, isso cria incerteza: um sistema de defesa apoiado no Claude poderia deixar de responder numa hora crítica. A maioria considerou esse receio razoável.

Aqui entra um termo técnico. Treinamento é o processo em que um modelo de IA aprende padrões a partir de enormes volumes de texto. É como a formação de um profissional: depois de formado, ele carrega valores e hábitos para qualquer emprego. A Anthropic treina o Claude para seguir um conjunto de princípios, que a empresa chama de constituição. É um documento interno, sem relação com a Constituição do país.

Isso importa porque as restrições não ficam só no contrato. Elas estão dentro do modelo. Um diretor da Anthropic declarou no processo que o treinamento é o principal mecanismo pelo qual a empresa influencia os modelos usados pelo Departamento.

A decisão cita três episódios concretos:

  1. Recusas em sistemas sigilosos. Em 2024, versões comuns do Claude se recusaram a resumir avaliações de ameaças, processar documentos sigilosos e traduzir material interceptado que descrevia violência. A Anthropic respondeu criando um modelo específico, o Claude Gov.
  2. A operação no exterior. Um executivo da Anthropic questionou o uso do Claude por uma contratada numa operação militar sensível. O Pentágono não diz qual foi. Reportagens anexadas pela própria empresa apontam a operação de 3 de janeiro que capturou Nicolás Maduro, na Venezuela.
  3. O caso do CDC. O Claude se recusou a responder a perguntas dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, o órgão de saúde pública do país, sobre pesquisa sensível de prevenção de infecções. Para o Pentágono, foi mais uma prova de que o treino faz o modelo negar pedidos do próprio governo.

Um ponto pesa a favor da Anthropic e a decisão o reconhece. A empresa não consegue acessar nem alterar um modelo já entregue ao governo. Em junho, o próprio secretário esclareceu que a determinação não dependia de a Anthropic conseguir mexer num modelo já entregue. O risco apontado está no treino dos modelos atuais e nas versões futuras.

O fecho do voto resume o dilema. De um lado, modelos travados demais que param no meio de uma operação. Do outro, modelos sem trava que inventam alvos para um ataque. Os dois cenários preocupam, escreveu a maioria, mas quem pesa esses riscos é o presidente e o secretário, não um tribunal e não um fornecedor.

O voto vencido: "não foi isso que o Congresso imaginou"

A juíza Karen Henderson votou a favor da Anthropic. Para ela, a lei de 2018 foi escrita para deter grupos hostis que se infiltram nos sistemas do governo, e não para punir um fornecedor que aplica, de forma honesta e declarada, as restrições do próprio produto. A leitura da maioria, no seu entender, alargou demais o texto.

O argumento é de leitura de lista. Quando a lei enfileira "sabotar", "introduzir função maliciosa" e "extrair dados", e depois diz "ou de outra forma manipular", o último verbo herda o sentido dos anteriores. Uma palavra se entende pela companhia que tem. E a companhia, ali, é toda de atos deliberados e enganosos.

Uma comparação ajuda. Se uma placa proíbe "arrombar, furtar ou de outra forma entrar" num prédio, ninguém conclui que o porteiro está proibido de abrir a porta. O contexto mostra que a regra mira quem entra por mal.

Henderson também desenhou a consequência. Suponha que o secretário exija que a empresa que substituir a Anthropic mude suas regras, sob pena de receber o mesmo rótulo. Pela decisão, esse fornecedor terá de escolher entre aceitar as exigências ou ser tratado como ameaça à segurança nacional.

"Não posso concordar que esse seja o cenário que o Congresso tinha em mente", escreveu a juíza. É o trecho mais citado do voto, e o que deve aparecer num eventual recurso.

O que muda agora para a Anthropic e para o Claude?

Na prática, o Claude continua fora dos sistemas do Departamento de Defesa, e as empresas contratadas não podem usar produtos da Anthropic no trabalho que fazem para o órgão. O restante segue igual: clientes comuns, empresas privadas e o uso do Claude por essas mesmas contratadas em projetos sem relação com o Pentágono.

Isso corrige um exagero comum. Em fevereiro, Hegseth anunciou que nenhuma empresa com negócios com os militares poderia ter qualquer relação comercial com a Anthropic. A empresa respondeu no mesmo dia que a lei não dá esse alcance, e que o acesso de clientes individuais e comerciais não seria afetado.

E a vitória na Califórnia, o que liberou? Segundo a Ars Technica, aquela decisão anulou as medidas mais amplas: a ordem para todos os órgãos federais pararem de usar produtos da Anthropic e o veto a qualquer negócio entre a empresa e fornecedores militares. Ela não obriga o Pentágono a usar o Claude.

O Pentágono, por sua vez, tratou de se abastecer em outro lugar. A decisão registra que o órgão ampliou rapidamente o contrato com a OpenAI, dona do ChatGPT. Amodei escreveu aos funcionários que, na sua opinião, esse novo arranjo não tinha protocolos de segurança adequados.

O custo financeiro para a Anthropic não é público. A Wired informou que a empresa relatou perda de receita logo após os rótulos e não atualizou os números desde então.

Se você acompanha a política americana de IA, este caso é a outra face de uma disputa que já contamos em Trump, Nvidia, OpenAI e Anthropic na briga pela regulação.

A Anthropic pode recorrer?

Pode, por dois caminhos. O primeiro é pedir que todos os juízes do mesmo tribunal reexaminem o caso, o que os americanos chamam de julgamento en banc (com o tribunal completo). O segundo é levar a questão à Suprema Corte. A empresa ainda não disse qual vai escolher.

Em nota enviada à imprensa e reproduzida pela Ars Technica, a Anthropic disse que discorda da decisão, lembrou que outro tribunal federal considerou ilegal o rótulo paralelo e afirmou estar avaliando todas as opções, incluindo novo recurso.

Não espere resposta rápida. O caso levou mais de seis meses entre o pedido inicial, em março, e a decisão de setembro, mesmo tramitando em regime acelerado. Enquanto um recurso não for aceito e julgado, a exclusão vale.

Há também uma saída fora dos tribunais: a negociação. A lei de Washington deixa a decisão nas mãos do secretário, e o que um secretário assina, ele ou seu sucessor pode revogar. O voto vencedor insiste nesse ponto ao dizer que a disputa é, no fundo, contratual.

O que isso ensina a quem usa IA no Brasil

Para quem usa IA no Brasil, a decisão não altera nada no acesso ao Claude, mas deixa uma lição prática: toda IA que você contrata vem com valores e limites do fabricante embutidos, e eles podem pesar mais do que o contrato. Vale conhecer esses limites antes de construir um processo inteiro em cima de um único modelo.

Essa é a parte do caso que serve fora dos Estados Unidos. O Pentágono descobriu, em escala militar, o que muita empresa descobre no dia a dia: o modelo às vezes se recusa, e o motivo está no treino, não numa configuração que você possa desligar.

Se você é...O que mudaO que fazer
Usuário comum do ClaudeNada. O acesso segue igualContinue usando normalmente
Empresa que usa o Claude no BrasilNada no contratoLeia a política de uso do fornecedor e saiba o que o modelo recusa
Empresa com processo crítico em uma única IARisco de depender de um só fornecedor fica mais claroTeste um segundo modelo para as tarefas essenciais
Fornecedor de tecnologia para governosPrecedente de que restrição declarada pode virar motivo de exclusãoNegocie os limites de uso no contrato, por escrito, antes de assinar
Quem acompanha o debate sobre IAPrimeira decisão de peso sobre quem manda nos limites de um modeloAcompanhe o recurso: ele vai definir a regra para os demais fornecedores

Uma opinião, com rótulo de opinião: os dois lados têm um ponto. Um exército não pode operar com uma ferramenta que talvez trave. E uma empresa que acha a própria tecnologia pouco confiável para matar sem supervisão humana tem o dever de dizer isso. O incômodo está no remédio escolhido, um rótulo pensado para espiões.

Se o assunto interessa, a nossa página de inteligência artificial reúne os outros artigos sobre as empresas e as regras que estão moldando essa tecnologia.

Perguntas frequentes

O Claude foi proibido nos Estados Unidos?

Não. A exclusão vale para os sistemas do Departamento de Defesa e para o trabalho que empresas contratadas fazem para ele. Pessoas e empresas privadas continuam usando o Claude normalmente, inclusive as contratadas do Pentágono em projetos sem relação com o órgão.

A decisão afeta quem usa o Claude no Brasil?

Não afeta. A medida trata de compras do governo americano na área de defesa. Assinaturas, uso pela API (a porta de acesso para programadores) e contratos comerciais seguem iguais, como a própria Anthropic informou aos clientes em fevereiro.

Por que a Anthropic ganhou num tribunal e perdeu em outro?

Porque cada tribunal analisou uma lei diferente. A lei julgada na Califórnia só permite o rótulo contra um adversário que age de má-fé, e a empresa não agiu assim. A lei julgada em Washington fala em "qualquer pessoa" e, segundo a maioria, não exige má-fé.

O que a Anthropic se recusou a fazer?

Recusou liberar o Claude para dois usos: vigilância em massa de cidadãos americanos e armas totalmente autônomas, que escolhem o alvo e disparam sem participação humana. A empresa afirma apoiar os demais usos legais de IA na segurança nacional, incluindo espionagem no exterior e armas parcialmente autônomas.

O que são armas totalmente autônomas?

São sistemas que identificam um alvo, decidem atacar e executam o disparo sem nenhuma pessoa aprovando a ação. A Anthropic diz que a IA atual ainda erra demais para assumir essa responsabilidade sozinha, e que por isso não fornece o Claude para esse fim.

A decisão é definitiva?

Ainda não. A Anthropic pode pedir novo julgamento com todos os juízes do tribunal de Washington ou recorrer à Suprema Corte. Até lá, a exclusão continua valendo, e a decisão favorável da Califórnia também.

O caso começou como uma cláusula de contrato e terminou definindo quem dá a última palavra sobre o que uma IA pode recusar. Por enquanto, nos Estados Unidos, essa palavra é do governo. O próximo capítulo é o recurso.

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